Falando em casas

28/02/2012 15:40

 

É interessante o processo de construção de um edifício. Seja pequeno, ou grande, exige o envolvimento de várias qualificações profissionais. Pode até ser possível que uma só pessoa aglutine condições para sozinha fazer uma pequena construção, mas claro, será um projeto de pequenas dimensões e limitado quanto ao tempo de execução.
Na pequena construção, o nível de exigência será, claro, proporcional ao resultado esperado. Normalmente o projeto é simplificado. Até determinadas metragens, as próprias prefeituras fornecem projetos básicos, permitindo que necessidades populares sejam atendidas.

Se estivermos tomando como referência uma construção de maior porte, vários tipos de profissionais serão necessários. E de todos os níveis. Teremos os ajudantes de pedreiro, os pedreiros, passando pelos eletricistas, encanadores, pintores, mestres-de-obras, responsáveis pela logística, materiais, arquitetos, engenheiros, administradores, contadores, e com certeza, muitos outros.

E o que isto tem a ver com a igreja? A idéia de construção de casas foi usada por Jesus, que disse que ninguém se lança a construção de uma casa sem fazer, antecipadamente, todos os cálculos para verificar se terá capacidade de concluir a obra (Lc 14.28-30). Nossos planos são como uma construção. Tanto no processo, como no resultado. Não é razoável que esperemos que de um processo sem muitos investimentos, tenhamos um grande resultado.

A igreja é um grande edifício. Um edifício que tem todos os tipos de obreiros, desde os ajudantes, que podem ser tidos como os mais simples e menos qualificados, até aqueles de qualificação mais complexa, como os engenheiros, administradores, diretores de projetos, etc. É interessante que muitas tarefas desenvolvidas pelos ajudantes não seriam bem feitas se realizadas pelos administradores, pois só eles possuem a experiência para algumas das necessárias tarefas de uma construção, mas é essencial a participação de todos com fins a que algo grandioso seja edificado.

Na igreja, quem seriam os ajudantes? Quem seriam os pedreiros, os encanadores, os eletricistas, os projetistas, os arquitetos, os mestres-de-obras, e assim por diante? Como estamos na qualificação de cada um destes profissionais, de modo a que nosso projeto seja bem executado? Destas perguntas teremos os resultados de longo prazo.

Uma igreja onde os trabalhadores sejam em nível de ajudantes, somente, jamais poderá avançar para projetos mais significativos, bem como uma que apenas tenham o que poderia corresponder ao engenheiro. Um bom projeto precisa de todos. Há espaço e necessidade de todos os níveis de servos, preparados para as mais diferentes tarefas, para que se edifique uma igreja de maior significação. Por isto Deus deu à igreja uns para Apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e doutores (Ef 4.11). Igualmente dotou a igreja de uma diversidade de dons de manifestação espiritual (1Co 12.8-10), os dons de serviço (Rm 12.6-8), e, segundo alguns, vários outros dons e operações especiais.

Uma dificuldade que exige constante vigilância é o fato de que cada um de nós tende a enxergar o mundo a partir de seu ponto de vista, e assim tratar todas as questões. Exemplificando, para um marceneiro, os problemas tenderão a ter sua solução a partir do uso do martelo e do prego. Para um ferreiro, a bigorna e o fogo poderão ser a alternativa mais interessante. Então tenhamos sempre o cuidado em não desprezar a importância de cada um dos trabalhadores que devem estar envolvidos no trabalho onde estamos inseridos.

Deus nos elegeu um corpo, com uma diversidade necessária. Cumpre a nós o cuidado para de fato cooperarmos com Ele, sendo instrumentos de cumprimento de sua vontade expressa em Efésios 4.12-16 que especifica a razão da existência dos próprios líderes eclesiásticos, que seja, "tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor."

Deus seja conosco, nos dando sabedoria para servi-lo conforme sua vontade, e nunca conforme o que pensamos.

 

Por Samuel Alves